Grupo de Estudos em Filosofia e Psicanálise

Publicação Eletrônica do Grupo de Estudos em Filosofia e Psicanálise- Ano VI - 2015
 

A formação dos mitos

O ser humano tem algumas características naturais sem as quais particularmente não teria condições de organizar-se socialmente e nem mesmo de viver, considerando seu aspecto psicológico. Uma dessas características diz respeito à forma como se estrutura mentalmente diante do mundo, ou seja, como organiza as informações que recebe - através dos sentidos ou da cultura - e cria a partir delas um modelo de interpretação e um padrão de comportamento que o possibilita a lidar com a realidade ao seu redor.

Desde os primórdios das sociedades, em tempos ainda pré-históricos, as pessoas sentiram a necessidade inexorável de procurar e estabelecer explicações para os fenômenos que observavam diariamente em seu entorno, e mais tarde em seu próprio íntimo. A rigor, não importa muito se essa explicação possa ser confirmada racionalmente ou submetida a provações; importa antes que ela satisfaça uma dependência primitiva de segurança, que seja capaz de demonstrar, mesmo por modelos comparativos, como se dão determinados fatos, quais as suas causas prováveis e o principal: qual a forma de isentar-se de riscos que poderiam levar ao sofrimento ou à morte.

É muito natural, portanto, que ao presenciarem a violência destrutiva de uma descarga elétrica sobre uma árvore durante uma tempestade em campo aberto, indivíduos primitivos a associaram à fúria de um ser infinitamente superior em força e capacidade de alcance, e assim surgiu inevitavelmente um deus dos raios e trovões, a cujos atributos provavelmente mais tarde foram agregadas também as manifestações benéficas como as chuvas e as frutificações. Exemplos assim justificariam os deuses da água, da terra, do céu, do mar, enfim, da natureza.

Em comparação ao comportamento observado nas próprias pessoas, esses deuses teriam também paixões, diversidade de comportamento e de poderes, atributos variados segundo a necessidade da cultura que vai se estabelecendo ao longo dos séculos e sendo transmitida de geração em geração. Essa forma de explicação irracional constitui a base dos mitos.

No caso do Ocidente, toda a cultura herdada surgiu inicialmente com os gregos e mais tarde com os romanos, mas esses povos, por sua vez, foram sujeitos às influências de outros povos ainda mais antigos, como os egípcios ou sumérios, por exemplo. Na verdade então os mitos têm sua origem ao longo de milênios e podemos dizer que perduram, de forma camuflada, até os dias atuais. A razão, por mais poderosa que seja, nem sempre consegue iluminar os recônditos abismos ancestrais da mente.

 


A mitologia grega

Os gregos antigos sem dúvida tinham uma imaginação muito fértil e criaram personagens e figuras mitológicas das mais diversas. Heróis, deuses, ninfas, titãs e centauros habitavam o mundo material, influenciando a vida das pessoas e mesmo determinando-as. Quem sabia "ler" os sinais da natureza - e portanto dos deuses - gozava de um prestígio sobrenatural. A pitonisa, espécie de sacerdotisa grega, era uma importante personagem neste contexto, e os gregos a consultavam em seus oráculos para saber sobre as coisas que estavam acontecendo e também sobre o futuro. A pitonisa buscava explicações mitológicas para tais acontecimentos e havia a crença de que agradar uma divindade era condição fundamental para atingir bons resultados na vida e sucesso nos empreendimentos. Cada cidade da Grécia Antiga possuía um deus protetor.

De acordo com o gregos, os deuses habitavam o topo do Monte Olimpo, principal montanha da Grécia. Deste local, comandavam a vida, o trabalho e as relações políticas dos seres humanos. Os deuses gregos eram imortais, apesar de possuírem características de seres humanos como ciúme, inveja, traição e violência. Muitas vezes, apaixonavam-se por mortais ou seduziam-nos e acabavam gerando filhos dessas relações, dando origem aos heróis.


Deuses gregos 

(Zeus - chefe de todos os deuses, senhor do céu.
Afrodite - deusa do amor, da sexualidade e da beleza.
Poseidon - deus dos mares
Hades - deus das almas dos mortos, dos cemitérios e do subterrâneo.
Hera - mulher de Zeus, deusa dos casamentos e da maternidade.
Apolo - deus da luz e das obras de arte.
Ártemis - deusa da caça.
Ares - deus da guerra.
Eros - deus do amor e da paixão.
Atena - deusa da sabedoria e da serenidade. Protetora da cidade que leva o seu nome.
Deméter - deus da agricultura e das colheitas.
Dionísio - deus do vinho e das festas, ligado à liberdade sensorial.
Hermes - deus que representava o comércio e as comunicações.
Hefestos - deus do fogo e do trabalho.
Cronos - deus do tempo.
Gaia - deusa da terra, o próprio planeta.



Outras entidades 

Heróis: seres mortais, filhos de deuses com seres humanos, ou seja, semideuses (como Herácles ou Aquiles).
Ninfas: seres femininos que habitavam os campos e bosques, responsáveis pela alegria e felicidade.
Sátiros: figuras com corpo de homem, chifres e patas de bode, ligas à vida no campo e às festividades.
Centauros: seres híbridos cujo corpo era formado por metade de homem e outra de cavalo.
Sereias: mulheres com metade do corpo de peixe, que viviam no mar e atraíam os marinheiros com seus cantos para os devorarem.
Górgonas: mulheres terríveis, espécies de monstros, com cabelos de serpentes cujo exemplo mais conhecido é a Medusa.
Quimeras: monstros resulstantes da mistura de leão e cabra que soltavam fogo pela boca ou narinas.

Os romanos, de forma geral, adotaram esses mesmos deuses para sua cultura, modificando-lhes porém os nomes. Assim, Zeus passou a ser Júpiter, Afrodite se tornou Vênus, Ares tomou o nome de Marte etc. Graças a essa influência, os nomes dos dias da semana, em línguas que derivaram do latim falado pelos romanos, ainda hoje trazem o nome de deuses, como acontece por exemplo no espanhol.

 


 Desenvolvido por Malta Arte Final